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terça-feira, 20 de junho de 2017

Casamento dos Filhos e a Intromissão dos Pais

3314É natural que os pais criem uma expectativa positiva quanto à pessoa com quem o(a) filho(a) irá se casar. Preocupam-se com a escolha certa, se serão bem cuidados, honrados, amados incondicionalmente etc. Afinal, o casamento é um compromisso sério diante de Deus e um relacionamento para toda vida. Por isso mesmo o apoio da família e amigos, a escala de valores, a fé, os costumes e as experiências adquiridas ao longo da vida são de suma importância para a construção de um lar. Porém, interferências e excesso de zelo dos pais podem provocar transtornos, gerar conflitos, frustrar sonhos, ou até mesmo levar o matrimônio a ruínas.
Ao se casar, o estilo de vida, a rotina, os hábitos do cotidiano podem ser diferentes dos que o novo casal herdou do modelo familiar de origem, pois a maneira que a relação conjugal será construída é única e particular. Os recém-casados devem ter a liberdade de planejar, organizar e viver a vida comum do lar como marido e mulher, com suas próprias regras e aprendizados.
Claro que a orientação bíblica “deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher” (Gênesis 2.24) não significa cortar vínculos ou abandonar os pais. Longe disso. Eles podem ser vistos como conselheiros, incentivadores e exemplos. O princípio bíblico do “deixar e unir” refere-se à separação física, social e emocional dos pais para o estabelecimento da união irrestrita dos cônjuges.Tornar-se uma só carne significa que um complementará o outro, respeitando os limites e necessidades, compartilhando as emoções, sentimentos, ideais e pensamentos. A nova convivência promoverá naturalmente a adaptação de ambos, até construírem a sua própria identidade familiar. Contudo, quanto mais tempo os recém-casados permanecerem ligados às famílias de origem, mais tempo levarão para essa estabilização ocorrer.
Quando se tem um bom relacionamento com os filhos essa separação acontece de uma forma muito natural. Já quando os pais vêem a situação de forma distorcida, como se estivessem perdendo o filho (a), pelo fato dele (a) sair de casa para construir uma nova família através do matrimônio, podemos concluir que esse não é um relacionamento saudável, pois demonstra uma dependência muito intensa, e esse tipo de vínculo prejudica a qualidade da relação.
Muitos pais trabalham incansavelmente para dar o “mundo” aos filhos, mas se esquecem de prepará- -los para uma vida de independência emocional neste “mundo”. É papel dos pais ajudarem aos filhos a construírem a sua individualidade, pois ela é o alicerce da identidade da personalidade para uma vida bem-sucedida. Deixá-los pode não ser uma tarefa fácil, entretanto, necessária! Essa ordem foi dada por Deus, justamente para que esse novo casal cresça, desenvolva-se, crie autonomia e uma série de outras características cruciais para quando essa família aumentar. Por isso, senhores pais não se envolvam no casamento dos filhos.
Quando um dos cônjuges também não consegue compreender este princípio da separação e o significado dessas mudanças, inúmeros problemas surgem. Todo ser-humano adulto precisa ter autonomia para ser bem-sucedido. Essa felicidade só será alcançada no dia-a-dia, arriscando, treinando, às vezes até errando, mas lidando com as consequências das suas próprias escolhas e de ninguém mais.
Em razão da herança familiar, existem pais possessivos, dominadores e super protetores, com uma dependência emocional muito forte. Eles associam o fato de amar os filhos a resolverem os conflitos dos mesmos, até estes sendo agora adultos e casados. A intenção é das melhores. Contudo, a nova corrente foi construída e necessita ser trabalhada para que possíveis dificuldades da nova convivência sejam minimizadas.
Vocês, recém-casados, ao se depararem com certas adversidades em seu relacionamento podem buscar orientação dos pais, desde que não ultrapasse os limites necessários. A interdependência de qualquer casal é imprescindível. Casamento a quatro não é plano de Deus! Somente dois devem se tornar uma só carne, e não os quatro (marido, esposa, pai e mãe). Um relacionamento de uma só carne começa quando duas pessoas deixam suas famílias e se unem um ao outro pelos laços do matrimônio. Aos olhos de Deus o relacionamento conjugal vai além da cerimônia.Trata-se de uma relação compartilhada a três: Deus – Homem – Mulher. Deus, o Criador da família, é o mais interessado na felicidade do novo casal. Por isso estabeleceu o homem, como provedor, com a responsabilidade de suprir as necessidades de segurança, físicas e espirituais de sua esposa e futuros filhos; e a mulher, a auxiliadora, como papel vital em “circundar” o marido (estar em volta) com apoio, incentivo e conforto. Um casal que deseja unidade entre si e harmonia familiar deve buscar também a união com Deus. À medida que eles aproximam-se de Deus, essa relação será refletida em um ambiente de paz, harmonia e felicidade. Se cada um entender e assumir o seu papel, muitos conflitos serão superados.
Deus já fez e está fazendo o papel dEle. Façamos também o nosso!
QUEIROZ, Edson. A família Inabalável 

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