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terça-feira, 23 de julho de 2013

Não Casar Só Por Amor… Nem Sem Amor

 “Por que você escolheu se casar com a pessoa com quem se casou?” Essa pergunta sempre nos remete a um tipo de reflexão na qual muitas pessoas têm dificuldade de realmente decidir o motivo. Pensamos, refletimos, meditamos, e a resposta que normalmente aparece é: “Porque eu a/o amava/amo”. Sim, pensamos que esse tipo de resposta é a maneira mais segura de fundamentar nossa decisão. Pode ser algumas pessoas tenham se casado por outros motivos, como sair da casa dos pais, querer ter filhos, não querer ficar sozinho (a). Mas, em geral, a resposta é “por amor”.

Para esse tipo de resposta, eu tenho uma segunda pergunta: “E o que significa esse amor?”. Agora a coisa fica um pouco mais difícil de ser respondida. Em geral, pensamos que esse amor é a fagulha do olhar, a empolgação do beijo, o desejo de ficar perto da pessoa amada, os planos de fazer a outra pessoa feliz. Se você namora ou está noivo(a), essa visão é a que domina sua mente. Você pensa que isso é o que define que um relacionamento feliz. Pois bem, se esse for o seu caso, deixa eu lhe dizer que isso se chama paixão, química, formigamento. Amor é outra coisa completamente diferente.

Agora, se você já é casado(a), você pode estar pensando que a razão foi um amor, mas que essa coisa toda de amor é algo que é diferente. Na verdade, todo mundo que se casa tem sonhos maravilhosos, mas com o passar do tempo, aprende que as coisas não funcionam do jeito que deveriam funcionar. Muitas coisas são diferentes, muitas transformações ocorrem com a pessoa que amamos. Chega um momento no qual nos perguntamos se por acaso aquela é a mesma pessoa por quem nos apaixonamos no começo. E aí, percebemos que casamento é simplesmente conviver com uma pessoa diferente, e buscar viver bem, sem brigas, etc.

into muito se esse último parágrafo soou muito desanimador para quem ainda está apaixonado pela pessoa amada. O problema é que essa é a realidade da maioria dos casamentos. São pessoas que dividem momentos de intimidade, de convivência, mas não dividem seus mais íntimos desejos e sonhos. São pessoas que simplesmente aprenderam a viver junto com seu cônjuge, mas sem se preocupar em realmente viver com a pessoa em total intimidade.

Pois bem, independente de qual seja sua situação, quero aqui dizer que se você permitir que Cristo atue em sua vida, e se você buscar auxílio e informações importantes sobre a vida a dois, você pode mudar a perspectiva do seu casamento. E, se você está iniciando sua vida de casado, ou deseja se casar, espero que esse tema lhe ajude a pensar bem na decisão que está fazendo.

Casando-se “por amor”

Coloquei a expressão por amor entre aspas para deixar claro que estou falando do tipo de amor que faz com que o rapaz ou a moça troquem mensagens de celular várias vezes ao dia, troquem mensagens românticas por sites de relacionamento, troquem presentes (flores e bombons sempre favorecem), e coisas assim. Pessoas com esse tipo de “amor”, pensam em fazer feliz a outra pessoa pelo resto da vida. Estão dispostas a fazer tudo o que for necessário: buscar na faculdade de carro, ajudar nas despesas, estimular estudos, pintar ou reformar a casa da sogra (isso é que é “amor”, não é?).

Esse tipo de amor é tão forte, e implica em tanta coisa, que as pessoas rapidamente percebem que querem viver a vida inteira ao lado da pessoa amada. Por isso, decidem se casar. Só que há um aspecto que não é percebido.

Esse tipo de amor é uma experiência que chega à beira da obsessão. Pensamos tanto na pessoa amada, que não somos capazes de julgar racionalmente outros aspectos importantes de quem ela é. Estamos tão apaixonados por ele(a) que não ligamos para o fato de que nossos interesses sociais, espirituais e intelectuais estão em continentes diferentes. Alguns têm mesmo sistemas de valores e crenças completamente opostos. Mas nada disso importa, só o desejo de ficar com a pessoa que amamos.

Em média, esse tipo de amor dura dois anos de casamento. Alguns percebem o erro que cometeram ainda na lua de mel, enquanto outros vivem esse torpor romântico por mais algum tempo.

O que acontece é que mais cedo ou mais tarde, acordamos um dia e perguntamos o que foi que fizemos. Nesse momento, o que parecia amor, agora se percebe ser cheio de ressentimentos, mágoas, raivas, etc. Por isso que muitos casais em pouco tempo, estão em consultórios de conselheiros ou psicólogos, dizendo que desejam se separar porque “acabou o amor”, e por isso não dá para continuar juntos.

A encruzilhada da vida a dois

O que muitas pessoas não percebem é que aquilo que chamam de amor não é realmente amor. Na verdade, é apenas um aspecto do amor. O amor envolve outras dimensões da vida humana. Amor que perdura é aquele que diz respeito às reais perspectivas da vida, e em como fazer essas perspectivas seguirem na mesma direção. Quero propor algumas coisas que precisam ser analisadas pelos casais. Se você ainda não se casou, reflita sobre isso em seu relacionamento. Se você já se casou, pense em como afinar a sua perspectiva nesses tópicos com a de seu cônjuge.

Valores Partilhados – Um casamento feliz e realizado é formado por duas pessoas que partilham valores de vida. Dentre eles, os mais importantes são a religião, o estilo de vida, a educação de filhos e os objetivos para o futuro. Essas são características importantíssimas, e que precisam ser afinadas entre duas pessoas.

Compatibilidade – Atualmente, se fala muito em compatibilidade, mas apenas na questão física. Esse é um dos argumentos para que a relação sexual pré-marital ocorra. Pois o casal precisa ver se são compatíveis na cama. Infelizmente, essa é uma questão mais fácil de resolver. A compatibilidade de vida, de propósitos, de personalidade, de interesses, nada disso é levado em consideração. Se você já é casado, tome tempo para entender quais são os princípios de comportamento e atitude que seu cônjuge tem, e busque maneiras de se relacionar com ele/ela de uma maneira compatível.

Adaptabilidade – Em um casamento, é necessário que o casal consiga se adaptar ao outro. Não é certo que um dos dois cônjuges sempre faça valer sua própria vontade. Se você é casado, é permitiu que até hoje seu cônjuge dominasse sobre você, tentar colocar sua opinião pode ser algo que exija demais de você. Por outro lado, se você é a pessoa dominadora, aprenda a ouvir também a necessidade do outro. E, se você ainda não se casou, perceba como funciona a dinâmica do seu relacionamento, e projete o futuro, lembrando que no casamento, a tendência é que certos comportamentos se cristalizem e se sobressaiam muito mais que no namoro.

Espiritualidade – É muito importante que em um casamento ambos pertençam a um mesmo grupo de crentes. Há casos em que o casal pertence a grupos diferentes, e mesmo assim são felizes, mas em geral, esse tipo de relacionamento é muito complicado. É como se ambos tivessem as mesmas possibilidades, mas andassem em caminhos de direções opostas. Isso é um sério problema.

“Química” – Não pode faltar. Você não deve basear seu casamento apenas no sentimento de paixão pela pessoa. Mas não deve se casar sem esse aspecto, pois isso faz parte da vida a dois. A química é o que faz com que o casal compartilhe de momentos marcantes a dois. Só que a química é algo que envolve muito mais do que simplesmente o aspecto físico. Ela diz respeito a uma intimidade emocional, espiritual e intelectual.

Direção de Deus – Não se esqueça de colocar sua vida e a de seu cônjuge ou futuro cônjuge nas mãos de Deus. Ele é a pessoa que pode dirigir, que pode transformar, e que pode tornar sua vida melhor. Ele é quem transformar os momentos, fazendo com que mesmo experiências ruins se transformem em grandes bênçãos. Coloque Deus em primeiro lugar, busque todo o auxílio que você puder encontrar, e se comprometa verdadeiramente a viver com a pessoa ao seu lado para o resto da vida, e você vai perceber e entender o que é realmente o amor.

Que Deus abençoe sua família,

Osmar Reis Junior
Psicólogo

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