Um Recado Para Você!

sábado, 6 de abril de 2013

AS BASES DO CASAMENTO CRISTÃO


“Vos, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a si m esmo se en tregou p o r ela (Ef 5.25).

O casamento cristão deve ser construído sobre as bases do amor a Deus e do amor conjugal verdadeiro. É a única forma de união consagrada por Deus para a constituição da família, objetivando o bem-estar do ser humano em todos os aspectos da vida. Foi o próprio Deus que instituiu o matrimônio, no Éden, como já vimos. Na Bíblia, vemos o casamento elevado a um nível bem alto, como observamos em Hebreus 13.4.

Por ser uma instituição criada por Deus, para atender seus propósitos quanto às finalidades divinas para a existência do homem na Terra, não é de admirar que o matrimônio tem sido atacado de maneira constante, sistemática e violenta. A exemplo do “ladrão”, que só vem “a roubar, a matar e a destruir” (Jo 10.10), Satanás luta diuturnamente para prejudicar o plano de Deus para a vivência do ser criado à sua imagem e semelhança.

A História, e mais claramente a História Contemporânea, demonstra de forma inequívoca que o casamento é um dos alvos preferenciais das forças satânicas. Sob o pretexto de “evolução”, “progresso” e “avanços sociais”, novas formas de união têm sido inventadas e aceitas pela sociedade sem Deus. M as os cristãos devem preservar e cultivar o matrimônio monogâmico e heterossexual, como uma bênção de Deus para a humanidade.

Todas as sociedades antigas, que destruíram o casamento e a família, nos moldes tradicionais, conforme o projeto de Deus, tiveram seu fim, pela corrupção de suas bases morais e espirituais. Os materialistas desdenham desse tipo de afirmação. Porém, a Palavra de Deus assegura que o que o homem semeia isso também colherá, pois Deus não se deixa escarnecer (G1 6.7). E uma questão de tempo apenas. A cada dia, o império do mal cresce, com o apoio dos governantes, dos representantes políticos do povo e dos representantes do poder judiciário, que aprovam leis e normas que contrariam a Lei de Deus. Porém, um dia todos serão julgados no plano espiritual segundo suas decisões e escolhas. O Juízo Final aguarda, com sentença já definida, a sorte dos ímpios (SI 9.17).

I - A VONTADE DE DEUS PARA O CASAMENTO
1. A vontade permissiva
Como expressão da vontade do Criador, Ele disse, no princípio de todas as coisas, que o homem deveria deixar seu pai e sua mãe e unir-se à sua mulher, a ponto de ser “uma só carne” com ela (Gn 2.24), o que ocorre no ato sexual. Essa vontade de Deus é para todos os homens, crentes ou não crentes, santos ou ímpios, evangélicos ou não. Por quê? Porque faz parte de seu plano divino que a humanidade cresça e se multiplique, através da união legítima entre um homem e uma mulher, como vimos no capítulo anterior. A vontade de Deus é que um homem se case com uma mulher, para formar um lar e uma família, conforme os ditames de sua santa Palavra.

Face essa “vontade permissiva” de Deus, Ele não interfere nem direciona um homem para uma mulher. Ele permite aos homens em geral que ajam conforme suas vontades, até mesmo para praticarem atos contrários à vontade do Senhor. Assim, cada pessoa tem o direito de, usando o seu livre-arbítrio, fazer as escolhas que lhe convier para sentir-se bem na união matrimonial. A vida nos mostra que Deus considera e valoriza o matrimônio, tendo ele sido celebrado numa igreja evangélica ou não, desde que subordinado à lei civil, representada pelas autoridades que têm competência para realizar o matrimônio. A igreja cristã não rejeita um casal, pelo fato de ter sido unido, em cerimônia legal, num templo de outra religião. Salvo se tal religião praticar ritos que possam ser considerados diabólicos.

2. A vontade diretiva
Esta é diferente da vontade permissiva. É a vontade de Deus, segundo a qual Ele pode agir, de modo impositivo ou diretivo, para alcançar seus objetivos divinos em relação ao universo e aos homens como agentes livres. Com essa vontade, Deus também pode direcionar pessoas; criar situações; promover circunstâncias, seja por sua decisão própria, ou para atender solicitações e propósitos de pessoas, especialmente de seus servos e servas, que procuram viver de acordo com seus princípios elevados.

Dentro desse contexto, como Deus usa a vontade diretiva para o casamento? Será que Ele escolhe o “irmão fulano” para ser esposo da “irmã fulana”? E se esse irmão resolver casar com a “irmã sicrana”, pode contrariar a vontade de Deus? Essas questões parecem simples, porém são mais comuns do que se poderia imaginar. No aconselhamento pastoral, ou em seminários para a juventude, é comum ser encaminhada questão desse tipo: “Pastor, como podemos saber se uma pessoa com quem namoramos, ou noivamos, é a pessoa escolhida por Deus para nós?”; ou: “como podemos saber se o casamento é da vontade de Deus?”.

Notadamente os jovens querem uma resposta definida para essas questões, que são motivo de inquietação para muitos que estão na fase de tomar decisões importantes em suas vidas, principalmente em relação ao casamento. De tanto verem fracassos matrimoniais, nas igrejas ou em suas famílias, há rapazes e moças que têm receio de casar. Há os que namoram e até noivam, e terminam o relacionamento por não se sentirem seguros quanto à vontade de Deus nesse terreno. Em nosso aconselhamento aos jovens, procuramos dar-lhes algumas orientações que servem de pistas para suas decisões em termos de namoro, noivado e casamento. A seguir, alguns indicadores da vontade de Deus.

A paz de Deus no coração
Um dos indicadores de que o que pensamos, fazemos ou pretendemos fazer é da vontade de Deus é o sentimento de paz interior, dominando nossos sentimentos, pensamentos e emoções.

No texto de Paulo em Colossenses 3.15-17 há lições muito preciosas. Em primeiro lugar, nos diz que “a paz de Deus” deve dominar em nossos corações, e devemos ser agradecidos. Se agradecemos é por alguma coisa importante, que pomos diante de Deus. Em segundo lugar, diz: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria . Se apaz de Deus é como um árbitro em nossos corações, conforme diz outra tradução do texto, a p a la vra é o referencia l para nossos pensamentos, atitudes e ações. Mas diz que essa palavra deve habitar em nós “abundantemente, em toda a sabedoria”. Quem submete seus pensamentos, ações presentes ou pretendidas, ao crivo da palavra de Deus, certamente terá muito mais probabilidade de acertar, e de sentir a direção de Deus em sua vida.

Em terceiro lugar, o texto diz que devemos louvar a Deus, admoestando-nos uns aos outros, com “salmos, hinos e cânticos espirituais”. Ou seja, quando fazemos alguma coisa que é da vontade de Deus, sentimos paz interior; tomamos como referência a Palavra do Senhor; temos motivos para louvar a Deus e, além disso, devemos fazer “tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. Esse é um ponto de altíssima importância. Se um namoro, noivado ou casamento é da vontade de Deus, podemos agir “no nome do Senhor Jesus”e dar “por ele graças a Deus Pai”. E necessário que o crente tenha a comunhão com o Espírito Santo para discernir a vontade divina, de maneira sábia e coerente, com base na regra de fé e conduta, que é a Palavra de Deus.

A Bíblia diz que o coração, ou o interior do homem, não é bom árbitro (Jr 17.9). Nesse caso, para saber a vontade de Deus, não é de boa norma confiar no coração. Ele é enganoso, por causa do pecado que passou a todos os homens. Mas a paz de Deus, dominando um coração pleno da presença de Deus, em concordância com a sua palavra, é de grande valor.

O comportamento pessoal
Referimo-nos ao comportamento ou ao testemunho da pessoa. Se uma jovem namora um rapaz e quer saber se esse namoro é da vontade de Deus; ou é noiva e quer saber se o noivado é da vontade de Deus, com vistas a um provável casamento, deve levar em conta com muito cuidado o testemunho do jovem. Da mesma forma, um rapaz cristão deve avaliar o testemunho de sua namorada ou noiva, para saber se é da vontade de Deus que se case com ela. Parece simples, mas não é. E indispensável observar o comportamento do outro na família, no relacionamento com os pais; o comportamento do outro para com os pastores, a igreja, o trabalho. Se um jovem ou uma jovem não respeita os pais, como respeitará seu cônjuge? Como respeitará o pai ou a mãe de seus filhos?

Um casamento não pode ser da vontade de Deus se o namoro e o noivado são marcados pela prática de atos que ofendem à santidade de Deus e à santidade do corpo (1 Co 6.18,19,20). Se um rapaz ou uma moça quer praticar sexo no namoro ou no noivado, é um sinal evidente de que Deus não está aprovando tal relacionamento. Um casal de jovens, casados há poucos meses, chegou ao gabinete pastoral, procurando ajuda, pois estavam passando por sérias dificuldades. Brigas constantes, desavenças, e já não sentiam mais amor um pelo outro. Com certa experiência no assunto, começamos a fazer algumas perguntas aos dois. Indagamos se eles estavam orando a Deus, diariamente; se costumavam ler a Bíblia juntos; se caminhavam para a igreja local; se adoravam a Deus, etc. Eles responderam que não oravam mais, não liam a Bíblia, e que tinham perdido o estímulo de ir à igreja.

Dentro de poucos minutos, a jovem encarou o seu esposo e lhe indagou: “Você não acha que devemos confessar o nosso erro?”. Fiquei esperando a resposta do esposo, e ele disse: “Se quiser, pode dizer”. Então a jovem voltou-se para mim e disse que, no seu noivado, já praticavam sexo. E que sabia que a mão de Deus estava pesando sobre eles, lembrando o seu pecado não confessado, por terem fornicado, no namoro. Lemos em Provérbios 28.13 que “quem confessa suas transgressões e as deixa, alcança misericórdia; mas o que as encobre nunca prosperará”. Eles sentiram-se aliviados por confessarem o seu erro, cometido na prática do sexo antes do casamento. Aconselhamo-lhes a procurarem o dirigente da congregação para confessar o pecado oculto e aceitarem a disciplina eclesiástica. Eles aceitaram o conselho, e depois puderam normalizar sua vida, diante de Deus e no seu lar.

Se um noivo vive faltando com respeito à noiva; se é grosseiro com ela; se demonstra um ciúme doentio, a ponto de não permitir que a jovem converse até com pessoas da família, é um péssimo sinal de que Deus não aprova a união para o casamento. A menos que haja arrependimento sincero e mudança de atitudes. O mesmo se aplica à jovem. Se demonstra esse tipo de comportamento, provavelmente não será uma boa esposa. Não é da vontade de Deus um casamento marcado para ser palco de brigas, intrigas, competição ou carnalidade.

De grande importância é observar a vida espiritual do noivo ou da noiva. Quando o casamento é da vontade de Deus, os dois demonstram, tanto no namoro, como no noivado, que amam ao Senhor de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as suas forças (Mt 12.30), e se amam um ao outro como a si mesmos (Mt 12.31), é ótimo sinal de um futuro casamento abençoado e feliz, pois o amor é o fundamento do verdadeiro casamento cristão. Essas observações têm muito mais valor do que profecias sobre casamento.

As coisas se encaixam naturalmente
Não há necessidade de um casal de noivos sair procurando a casa de profetas ou profetisas para saber se o casamento é da vontade de Deus. Aliás, na minha experiência pastoral, a maioria das profecias envolvendo casamento é falsa. Não se cumpre. Porque, em geral, não são de Deus, mas da vontade do profeta, que deseja agradar aos que o procuram. Ressaltamos que Deus pode, sim, usar uma serva sua ou um servo seu, com o dom de profecia, para orientar decisões sobre casamento. Mas esse não é um meio comum. É ocasional. Conheço um casal, muito bem casado, ele, pastor; ela, uma ótima serva de Deus, que trabalha ao lado do seu marido. Quando namoravam, uma profeta disse de alto e bom som, dizendo-se ser usada por Deus, que “ele” não seria “o seu”, dado por Deus. E que não era a vontade de Deus o casamento. Felizmente, os jovens não levaram em consideração a vontade da profetisa.

O problema é que, em muitas igrejas locais, pessoas que têm o dom de profecia passam a ser oráculos privilegiados para dirigir a vida das pessoas. Essa não é a finalidade da profecia no Novo Testamento. Passou o tempo em que o profeta era consultado para dizer se alguém deveria ir para a direita ou para a esquerda. Saul foi consultar o profeta Samuel acerca das jumentas extraviadas de seu pai. O profeta o tranquilizou, pois os animais já haviam sido encontrados. Esse foi um ministério passado, em que o profeta era o vidente para toda a nação, e para fatos envolvendo pessoas.

No Novo Testamento, a nosso ver, é muito mais proveitoso orar e buscar a presença de Deus reservadamente, entrando no seu quarto, como ensinou Jesus, para ter a orientação do Senhor (Mt 6.6). Como resultado dessa busca, Deus fala através das circunstâncias. Um jovem fiel, que busca a Deus, que serve a Deus em sua casa, que se santifica, certamente terá a bênção de Deus sobre as circunstâncias da sua vida. Ele é abençoado nos estudos. Deus abre portas de emprego. A família da noiva demonstra estar feliz, aprovando a amizade dos noivos. O pastor da igreja local vê com bons olhos o noivado. A jovem demonstra que ama o rapaz, e expressa isso com palavras e carinho. Em tudo isso, pode-se perceber Deus dando a sua aprovação ao casamento.

Os princípios de Deus são observados
Para que um casamento seja da vontade de Deus, é indispensável que os aspirantes ao matrimônio, namorados ou noivos, respeitem os princípios de Deus, consubstanciados em sua santa Palavra. Um dos princípios fundamentais é que os pretendentes ao casamento tenham a mesma fé, sirvam ao mesmo Deus, creiam na sua Palavra e obedeçam ao Senhor. Se um rapaz deseja casar-se com uma jovem cristã, e não gosta de ir à igreja local para adorar a Deus, é um sinal evidente de que não dá valor às coisas sagradas.

No namoro ou no noivado, Deus dá oportunidade para seus servos demonstrarem que são verdadeiramente salvos. O casamento na vontade de Deus exige santidade. As tentações são muito fortes sobre os jovens cristãos, principalmente na área da sexualidade. Frequentemente, são tentados a praticar o sexo antes do casamento. Se desrespeitam esse princípio da santidade, e se envolvem em carícias e práticas sexuais, certamente estão fora da vontade de Deus. Colherão os frutos de sua desobediência, logo, ou depois que se casarem (G1 6.7).

Li um livro com o título O Divórcio Começa no Namoro. Chamou-me a atenção. Meditando, achei que o autor tem razão. As bases do casamento são lançadas no namoro e alicerçadas no noivado. Se essas bases forem lançadas sobre a desobediência a Deus, na prática da fornicação, estão correndo sério risco de não terem a bênção de Deus. Não adiantará uma cerimônia pomposa, com dezenas de testemunhas, vestido de noiva com véu e grinalda, com modelo personalizado, nem uma recepção no melhor clube da cidade. Mais importante é ter a bênção de Deus no casamento.

II - O AMOR VERDADEIRO NO CASAMENTO
1. O dever primordial do casal
O dever de amar está acima dos outros deveres conjugais. O marido que não ama sua esposa não obedece à Palavra de Deus. Peca por desobediência. A Bíblia diz solenemente: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Esse versículo é sempre lido pelo ministro religioso no dia do casamento de alguém. Muitos maridos, porém, despreparados para o matrimônio, ouvem essa recomendação por pura formalidade. As palavras entram-lhes por um ouvido e saem pelo outro: não dão importância ao que está contido nas Escrituras.

A nosso ver, se um jovem não está consciente do que é amar a esposa, não deve casar, e muito menos ter a bênção matrimonial dada na igreja do Senhor. Casamento sem amor é como planta sem água: acaba morrendo. O amor à esposa, recomendado pela Bíblia, é o mais elevado possível. É semelhante ao amor de Cristo pela Igreja. Isso indica que o amor do esposo deve ser comparado ao amor de Cristo para com a Igreja. E maior do que qualquer amor comum: é um amor sublime.

2. O amor gera união plena
“A união é o resultado do amor sincero. O esposo deve estar unido à esposa de modo a formar uma unidade, “uma só carne” (Ef 5.31). Essa união é espiritual, complementada pela união afetiva e física. O marido é a cabeça, ou seja, o líder da esposa, mas não é superior a ela. Os dois são “uma só carne”, uma mesma unidade, como Paulo ensina (1 Co 7.3). Isso significa igualdade, reciprocidade de deveres. As obrigações do marido perante a mulher são as mesmas da mulher perante o marido. Isso exige união de pensamentos, de sentimentos e de propósitos.

A união física tem papel importantíssimo nesse aspecto. Essa união plena tem inimigos terríveis. Um deles, muito comum, é a irritação. A vida em família sofre bastante desgaste quando o casal não se previne acerca disso. E pequenas coisas, pequenos transtornos, chamados irritações, que são como picadas de mosquitos em noites de calor, perturbam mais do que coisas de grande vulto. A vida conjugal exige convivência em qualquer situação, na prosperidade ou na escassez, na saúde ou na doença. E necessário que haja muita compreensão e muito amor para evitar a irritação que surge com os problemas normais da vida.

O amor, diz a Bíblia, “tudo espera, tudo suporta; não se irrita.” Isso é difícil, mas não é impossível para o cristão que tem a ajuda direta de Deus. Há esposos que se irritam com tudo, dando lugar à quebra da união plena com a esposa. Se a comida não está do agrado do marido, ele reclama, não dissimula: fica aborrecido, de cara feia. A camisa está sem um botão, justamente na hora de sair para a igreja, surge uma discussão. Os chinelos não estão no lugar, mais reclamações. São as irritações que vão se somando, pequenas, mas constantes. Um dia, “a casa cai”. O marido conclui que a vida está “insuportável” ao lado da esposa, Satanás fica torcendo pelo pior, e faz com que aquelas “coisinhas” pareçam montes intransponíveis.

O esposo cristão quer exigir da esposa o cumprimento fiel de todos os seus deveres, sem faltar nada. Porém, muitas vezes, não cumpre os próprios deveres para com ela, conforme a Bíblia manda. Será que, por causa de qualquer coisa, Cristo irrita-se com a Igreja? Certamente não. Se assim fosse, onde estaríamos nós? Do mesmo modo, é necessário o esposo cristão evitar as irritações com a esposa. Como isso é possível? Parece-nos que, com poucas medidas simples, torna-se viável vencer a tentação das irritações:
• O esposo deve orar com a esposa todos os dias.
• O esposo deve ler a Bíblia ao lado da esposa.
• O esposo deve manter diálogo constante com a esposa sobre as coisas do lar.
• Quando algo estiver errado, o esposo deve conversar sobre o assunto com compreensão. Pedir sugestões à esposa sobre a melhor maneira de, juntos, resolverem o problema.
• Ambos devem dar graças a Deus pelos problemas. Eles tendem a desaparecer quando ações de graças sobem aos céus (1 Ts 5.18).
• Ambos devem procurar cultivar o verdadeiro amor.
III - A FIDELIDADE CONJUGAL
1. Fator indispensável à estabilidade no casamento 
A segurança espiritual e emocional do casal depende da fidelidade que cada um devota ao outro. Sem fidelidade, o casamento desaba. As estruturas do casamento não são preparadas para suportar a infidelidade. Esta tem efeito devastador no matrimônio, no lar e na família.

O padrão de amor não é o falso amor das novelas, dos filmes e das revistas sociais. O padrão para o amor conjugal é o amor de Cristo para com a sua Igreja! E Cristo jamais foi ou virá a ser infiel à sua Noiva. Da mesma forma os cônjuges cristãos devem ser fiéis uns aos outros, para que Satanás não encontre brecha para destruir a aliança matrimonial. No Antigo Testamento, vemos um texto, em que Deus condena a infidelidade entre os esposos. Em Malaquias 2.13-16, vemos a repreensão ao povo de Israel, pelo fato de haver grande incidência de infidelidade conjugal.

Deus não mais aceitava as ofertas do povo, pelo fato de haver deslealdade entre esposos e suas respectivas esposas. Quando os cristãos se casam dentro da vontade divina, Deus se faz presente na cerimônia, e se torna testemunha divina daquela união, daquele compromisso, assumido perante a autoridade pastoral que Deus confere aos ministros do evangelho. Eles representam Deus no casamento. Quando os crentes se casam, assumem o compromisso, perante Deus, perante sua Igreja, perante as testemunhas e perante a sociedade, perante a lei civil que regula o matrimônio. O casamento não deve ser visto como um “contrato”.

Contrato tem cláusulas, que podem sofrer modificações mediante o instrumento de aditivo contratual. No casamento não há aditivo. Há pacto solene, celebrado perante o criador do casamento. Os contratos têm prazo de vigência. O casamento é uma aliança, que deve perdurar “até que a morte os separe”. E, para que isso ocorra, é indispensável a fidelidade entre os cônjuges.

Estatísticas oficiais demonstram que o número de divórcios entre os evangélicos está quase equivalente ao índice de divórcios entre os cônjuges descrentes. Esse é um fenômeno dos tempos pós-modernos. Há algumas décadas, pouco se falava em divórcio entre cristãos. Mas, nos últimos tempos, as separações têm ocorrido com frequência acentuada nas igrejas. Por quê? Por vários motivos. Um deles, talvez o mais terrível, seja o da infidelidade, do adultério, do homossexualismo, e de outros pecados graves, cometidos contra a Lei de Deus.

Ultimamente, há inúmeros casos, no seio das igrejas, de casais em crise conjugal. Alguns não se separam por mera conveniência, mesmo sendo vítima de infidelidade conjugal. Uns não querem divorciar-se porque aspiram ao ministério. E precisam manter-se casados, mesmo que haja uma união de fachada. Isso não condiz com o caráter cristão.

Para evitar a infidelidade, é necessário que o casal se mantenha debaixo da orientação da Palavra de Deus. O esposo, amando sua esposa de todo o coração, como Cristo à Igreja. A esposa, amando o esposo da mesma forma e lhe sendo submissa pelo amor. Em termos práticos, é necessário cultivar, tratar, regar e cuidar da planta do amor, para que as ervas daninhas da infidelidade não germinem no coração de um dos cônjuges.

E bom que os cristãos casados saibam que a santidade do cristianismo não faz ninguém deixar de ser humano. Nesta vida, precisamos de amor, de alegria, de paz, de carinho, de afeto. O leito conjugal precisa ser bem aproveitado, e a união sexual, legítima entre os casados, deve continuar sendo fator de integração, não apenas física, afetiva, mas também espiritual. Deus se agrada da união entre os casados, especialmente entre cristãos (Hb 13.4).

Reconhecemos que há muita infidelidade que começa por mera tentação, para o que o outro cônjuge, às vezes, em nada contribui. Mas havemos de reconhecer que o casal bem unido em torno do Senhor Jesus terá condições de vencer o Inimigo. Paulo doutrinou bastante sobre o assunto (1 Co 3.16,17, por exemplo).

O homem, ou a mulher cristã, deve tomar em consideração esta advertência solene e grave da Bíblia: Se alguém destruir o seu próprio corpo, pelo pecado, Deus o destruirá. Mais clara ainda é a exortação quando lemos o trecho de 1 Coríntios 6.18-20. O corpo não é nosso propriamente, pois somos propriedade de Deus. Não somos de nós mesmos. Esta constatação é extraordinária. Para aceitá-la, é preciso que tenhamos a consciência espiritual em harmonia com a mente de Deus. Diante disso, o casal cristão não pode adulterar, nem usar o corpo de qualquer maneira no leito conjugal, para não cometer infidelidade no uso do “templo de Deus”. A prática do sexo, fora do que é natural, como por exemplo a sodomia e outras aberrações sexuais, é profanação do “templo de Deus”.

Um casal bem ajustado espiritual e fisicamente não necessita recorrer a práticas eróticas desrespeitosas no leito conjugal. Havendo o verdadeiro amor, não haverá frieza sexual. Haverá interesse, atração de um pelo outro; haverá prazer no ato. É necessário evitar a infidelidade sob qualquer forma ou pretexto. Quem é fiel ao seu cônjuge é fiel, acima de tudo, a Deus, o criador do casamento.

IV - O CUIDADO COM O JUGO DESIGUAL

Essa expressão, “jugo desigual” tem origem no texto de Paulo em 2 Coríntios 6.14-18. O apóstolo exorta quanto ao perigo do relacionamento íntimo do cristão com pessoas não cristãs, a quem chama de “infiéis”. Não se trata de evitar o relacionamento cordial ou social com vizinhos, colegas de trabalho, ou da escola. Mas sim, de relacionamento que implique em “comunhão” de ideias, pensamentos, emoções, afetos e intimidades (v. 14 b).

É o caso do namoro e do noivado, com vistas a um possível casamento. Namorar ou noivar com descrente já é estabelecer uma espécie de “comunhão”. Abraços, beijos, carinho, afeto, num relacionamento íntimo, sem dúvida alguma, já é comunhão. E o apóstolo indaga, de maneira incisiva: “E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” (v. 14b, 15). E uma forma de linguagem bíblica, em que o escritor afirma, interrogando. Na verdade, ele quer dizer que não pode haver comunhão entre “a luz”, o servo de Deus e “as trevas”, o descrente com seu estilo carnal, mundano e contrário à palavra de Deus.

“Que concórdia há entre Cristo e Belial?”, pergunta Paulo. Num namoro, noivado, ou num casamento, entra em cena Cristo e Belial? A princípio, não parece haver tal situação. Mas se pensarmos bem, entendemos que sim. O cristão, solteiro ou casado, deve ser “templo do Espírito Santo” (1 Co 6.19), na comunhão com Cristo. O descrente não tem o Espírito de Deus. Ele tem outro espírito, ou outros espíritos, tipificados em “Belial”. Dessa forma, o Espírito que habita no crente fiel não pode ter “concórdia” com o espírito que habita no descrente. Não pode haver comunhão.

O apóstolo é mais claro, quando indaga: “Ou que parte tem o fiel com o infiel? (v. 15 b). O fiel é aquele que aceitou a Cristo como seu salvador, que foi lavado e remido pelo sangue de Cristo, que tem seu nome escrito no Livro da Vida. O infiel é aquele que, mesmo sendo educado, fino, de boa família, um bom cidadão, não é um servo de Cristo. E bom cidadão do mundo, mas não é cidadão do céu. Ele acrescenta: “E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (v. 16). Um casamento, fruto de um namoro e de um noivado, de um fiel com um infiel não pode ser da vontade Deus.

Muitos têm pago um preço muito alto por desprezarem esse ensino da Palavra de Deus. Entendendo que, na igreja local, não há um jovem ou uma jovem para namorar, noivar e casar, acabam envolvendo-se com colegas de trabalho, da escola, da faculdade; com um parente simpático; com um amigo bonito; ou uma amiga agradável, porém não crentes. Isso pode ter sua lógica, no aspecto humano. Mas, na visão de Deus, é desobediência a seus princípios. Alguns, por misericórdia de Deus, escapam de maiores consequências. Outros, infelizmente, afundam num casamento infeliz, sem união, sem amor, sem paz, sem a bênção de Deus. E melhor ficar solteiro, ou solteira, do que ter um casamento sem a presença de Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário